Espaço

Há 100 anos, Albert Einstein previu a existência de ondas gravitacionais como parte de sua Teoria Geral da Relatividade.

Durante décadas, os cientistas vinham tentando, sem êxito, detectar essas ondas – fundamentais para entender as leis que regem no Universo. Porém, um grupo de pesquisadores de vários países anunciou ter conseguido detectar pela primeira vez as chamadas ondas gravitacionais.

Além de confirmar as ideias de Einstein, a descoberta abre as portas para maneiras totalmente novas de se investigar o Universo. A partir de agora, a astronomia e outras áreas da ciência entram uma nova era.

Os pesquisadores do projeto LIGO (sigla para Laser Interferometer Gravitational-Wave Observatory), em Washington e na Lousiana, observaram o fenômeno e acompanharam distorções no espaço com a interação de dois buracos negros a 1,3 bilhão de anos-luz da Terra.

O que exatamente são ondas gravitacionais?

Segundo Einstein, todos os corpos em movimento emitem essas ondas que, como uma pedrinha que afeta a água quando toca nela, produz perturbações no espaço.

A Teoria da Relatividade de Einstein é um pilar da física moderna que transformou nosso entendimento do espaço, do tempo e da gravidade. E por meio dela entendemos muitas coisas: da expansão do Universo até o movimento dos planetas e a existências dos buracos negros.

Essas ondas gravitacionais são basicamente feixes de energia que distorcem o tecido do espaço-tempo, o conjunto de quatro dimensões formado por tempo e espaço tridimensional. Deste modo, qualquer massa em movimento produz ondulações nesse tecido tempo-espaço. Até nós mesmos.

Esse efeito, no entanto, é muito fraco, e apenas grandes massas, movendo-se sob fortes acelerações, podem produzir essas ondulações em um grau razoável.

Assim, quanto maior essa massa, maior é o movimento e maiores são as ondas. Nessa categoria entram explosões de estrelas gigantes, a colisão de estrelas mortas superdensas e a junção de buracos negros.

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Como os cientistas detectaram essas ondas?

Os pesquisadores trabalhavam há anos para detectar as minúsculas distorções causadas quando as ondas gravitacionais passam pela Terra. Os detectores nos Estados Unidos e na Itália são ambos formados por dois túneis idênticos em forma de L, de 3 km de largura.

Neles, um feixe de laser é gerado e dividido em dois – uma metade é disparada em um túnel, e a outra entra pela segunda passagem. Espelhos ao final dos dois túneis rebatem os feixes para lá e para cá muitas vezes, antes que se recombinem.

E a forma com que as ondas se movem pelo espaço significa que um túnel se estira e outro se encolhe, o que fará com que um raio laser viaje uma distância levemente maior, enquanto o outro fará uma viagem mais curta.

Como resultado, os raios divididos se recombinam de uma maneira diferente: as ondas de luz interferem entre si, em vez de se cancelarem. Essa observação direta abre uma nova janela para o cosmos.

E qual a implicação disso?

Os objetos também emitem essas perturbações que acabaram de ser detectadas, mas a partir de agora os físicos poderão olhar os objetos com as ondas eletromagnéticas e escutá-los com as gravitacionais.

“Agora, o que se tem são sentidos diferentes e complementares, para estudar as mesmas fontes. E com isso, podemos extrair muito mais informações”, disse Alicia Sintes, do departamento de física do Instituto de Estudos Espaciais da Catalunha, na Espanha, que participou do projeto.

“Não estamos falando de expandir um pouco mais o espectro eletromagnético, mas de um espectro totalmente novo”.

A especialista afirma que as ondas eletromagnéticas dão informações do Universo quando ele tinha 300 mil anos de idade. “Já com as ondas gravitacionais, pode-se ver as (ondas) que foram emitidas quando o Universo tinha apenas um segundo de idade.”

Outro impacto diz respeito aos buracos negros: nosso conhecimento sobre a existência deles é, na verdade, bastante indireto. A influência gravitacional nos buracos negros é tão grande que nem a luz escapa de sua força. Mas não podemos ver isso em telescópios, só pela luz da matéria sendo partida ou acelerada à medida que chega muito perto de um buraco negro.

Já as ondas gravitacionais são um sinal que vem desses objetos e carrega informações sobre eles. Nesse sentido, pode-se até dizer que a recente descoberta significa a primeira detecção direta dos buracos negros.

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Simulação ilustra colisão de buracos negros como aquela detectada pelo projeto Ligo (Foto: Andy Bohn et al.)

Qual o efeito causado por essas ondas na Terra?

Quando as ondas gravitacionais passam pela Terra, o tempo-espaço que nosso planeta ocupa deve se alternar entre se esticar e se comprimir. Pense em um par de meias: quando você as puxa repetidas vezes, elas se alongam e ficam mais estreitas.

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Visualização de ondas gravitacionais. Crédito da imagem: Werner Benger / Wikimedia

Os interferêmetros do Ligo, aparelhos usados para medir ângulos e distâncias aproveitando a interferência de ondas eletromagnéticas, vêm buscando esse estiramento e compressão por mais de uma década.

A expectativa era a de que ele detectaria distúrbios menores do que uma fração da largura de um próton, a partícula que compõe o núcleo de todos os átomos.

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Prepare-se desde já para a Semana Mundial do Espaço que acontecerá em outubro deste ano.

O que é a Semana Mundial do Espaço?

A Semana Mundial do Espaço é uma celebração internacional da contribuição da ciência e tecnologia espacial para o melhoramento da condição humana. Foi oficialmente declarada pelas Nações Unidas como sendo, anualmente, a semana de 4 a 10 de Outubro. Durante a Semana Mundial do Espaço, ocorrem em todo o mundo vários eventos e programas educacionais relacionados com o espaço.

A sincronização de eventos atrai a cobertura pelos meios de informação, que contribui para a educação do público em relação à exploração do espaço.
As datas que delimitam a Semana Mundial do Espaço comemoram acontecimentos marcantes da era espacial: no dia 4 de Outubro de 1957 foi lançado o Sputnik I, o primeiro satélite terrestre construído pelo homem. O Tratado de Exploração Pacífica do Espaço Exterior foi assinado pelos estados membros da ONU no 10 de Outubro de 1967.

Onde e como é celebrada a Semana Mundial do Espaço?

A Semana Mundial do Espaço é aberta à participação de todos. Ela é comemorada por agências governamentais, companhias, organizações sem fins lucrativos, professores e indivíduos. Estes organizam eventos públicos, atividades escolares, ações de divulgação e páginas da Internet. Para obter informações sobre o que se passa no seu país, acesse ao sítio www.spaceweek.org. A Semana Mundial do Espaço é coordenada globalmente pela ONU com o apoio da Associação Internacional da Semana do Espaço (Spaceweek International Association). Em vários locais em todo o mundo, existem coordenadores nacionais. É possível consultar a lista de localidades e coordenadores, também no site www.spaceweek.org.

Como as Escolas podem participar?

A Semana Mundial do Espaço é a ocasião ideal para os professores recorrerem ao espaço como meio de estimular os estudantes para a matemática, ciência e outros assuntos. Para ajudar os professores nesta tarefa existe disponível, gratuitamente, no seguinte endereço www.spaceweek.org um Guia de Atividades para Professores (Teacher Activity Guide). Para encorajar a participação, a Associação Internacional da Semana do Espaço atribui prêmios a professores e estudantes, sendo que os vencedores premiados recebem seus prêmios em uma cerimônia global.

O que cada um pode fazer?

Todos são convidados a:

  • Organizar um evento durante a Semana Mundial do Espaço;
  • Ajudar a coordenar a Semana Mundial do Espaço no seu país, região ou cidade. Os coordenadores convidam organizações a realizar eventos e relatam o que está planejado;
  • Solicitar aos professores para usar, durante a Semana Mundial do Espaço, o espaço como forma de estimular as crianças para a aprendizagem.

Por favor entre no site www.worldspaceweek.org e complete o formulário “Eu Quero Ajudar” (“I Want to Help”), ou contate o seu coordenador nacional.

FONTE: http://www.worldspaceweek.org/about/introduction-portuguese/

 

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Uma imagem divulgada pela Nasa, capturada com o telescópio NuSTAR, mostra duas galáxias, coletivamente denominadas Arp 299, e seus respectivos buracos negros massivos colidindo.

A missão determinou que um dos buracos se alimenta de gases enquanto o outro está dormente ou escondido sob uma espessa camada de gás e poeira estelar.

A descoberta ajuda os pesquisadores a entender como a junção de duas galáxias pode iniciar o processo de sucção de um buraco negro, o que é um passo importante na evolução e nascimento de galáxias.

“Quando as colisões ocorrem, gás é sugado para o núcleo do buraco negro e isso resulta na formação de estrelas”, diz Andrew Ptak, cientista da NASA e autor de um estudo sobre o assunto.

NuSTAR é o primeiro telescópio capaz de penetrar na densa camada de gás e poeira da junção Arp 299. Observações anteriores de outos telescópios haviam apenas indicado a possibilidade das duas galáxias terem buracos negros massivos em seus núcleos, enquanto a NuSTAR confirmou a suspeita por conta de sua tecnologia de raios-x de alta energia.

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Post via Band. 

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Alguns pensamentos instigadores levaram Einstein a questionar o paradigma de sua época. O que aconteceria se o Sol, por algum motivo, deixasse de existir?

Sabemos que o Sol é a responsável pelas órbitas dos planetas em seu entorno. Dessa forma, os oito planetas do nosso sistema deixariam de seguir órbitas elípticas e sairiam literalmente pela tangente de sua trajetória. Mas será que isso aconteceria instantaneamente assim que o Sol deixasse de existir? Até o começo dos anos 1990 achava-se que sim – em conformidade com a teoria newtoniana, que permite ações gravitacionais instantâneas e à distância. Esse ponto da teoria não parecia ser muito factível. Além disso, Einstein percebeu que a mecânica newtoniana e a sólida teoria do eletromagnetismo, descrita pelas belas equações de Maxwell, formavam um casal conflitante.

Enquanto trabalhava em um departamento de patentes, aparentemente com algum tempo livre, Einstein resolveu ir longe nas ideias e continuar seus questionamentos incomuns. Perguntou-se, não com essas palavras, o que aconteceria se viajasse sentado em um fóton (partícula de luz) e olhasse pra outro fóton ao seu lado, viajando a mesma velocidade, a da luz. Obviamente esse é um experimento mental que não poderia ser reproduzido.

Foi nesse contexto cheio de questionamentos que Einstein optou por apostar em Maxwell. Partindo de alguns conceitos impostos por ele, trilhou um árduo caminho que o levou primeiramente à Relatividade Especial e por fim à Vênus de Milo Relatividade Geral (RG). Para o início de toda a teoria, os conceitos impostos, chamados de postulados, foram dois:

A velocidade da luz é constante independentemente do referencial.
As leis da Natureza são as mesmas em todos os sistemas referenciais inerciais.

Desses postulados nasceu a relatividade restrita e, provavelmente, a equação mais famosa de todos os tempos: E=mc². Ela nos diz que massa (m) e energia (E) são equivalentes e que sua conversão é dada pela velocidade da luz (c). Essa equação poderosa infelizmente foi utilizada para fins sórdidos, como a construção da bomba atômica pelos EUA no projeto Manhattan. Entretanto, esse fim foi terminantemente abominado por Einstein.

Não satisfeito com sua brilhante teoria, Einstein foi adiante e em 1915 apresentou sua Teoria da Relatividade Geral. Maravilhosa! 10 equações distintas elegantemente descritas pelo que parece ser apenas uma:

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Mas, acredite: são 10 equações diferentes.

Na extrema esquerda temos um termo simbolizando a geometria do espaço-tempo, na extrema direita temos matéria e energia. Ou seja, Einstein, através dessa equação, apresenta o princípio da Relatividade Geral: a matéria deforma a geometria do espaço-tempo e vice-versa.

A Relatividade Geral passou por diversos testes onde sua autenticidade foi primorosamente verificada. Além disso, as equações de Einstein originaram alguns dos temas mais instigantes e atuais, seja para o mundo científico, seja para a população, como buracos negros e ondas gravitacionais. Buracos negros surgem como uma solução da RG. Sua matemática é complexa, mas seu conceito é facilmente compreendido. Nada mais são do que restos mortais de estrelas muito massivas (em torno de pelo menos 10 vezes a massa do nosso Sol). Por ser pouco massivo comparado às outras estrelas, nosso Sol não sofrerá uma morte traumática; ele queimará seu combustível químico seguindo uma evolução mortal até transformar-se em uma anã branca (estrela morta, com tamanho comparável ao da Terra e sem brilho).

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Buracos negros fascinam a todos e já foram temas de diversos livros e filmes. Lembram do filme Interestelar? Há várias questões relativísticas abordadas na obra de ficção científica de Christopher Nolan. Com relação à famosa cena em que discute-se entre os astronautas a descida ou não ao planeta de Miller,surge a informação de que para cada hora passada no planeta, sete anos se passariam para quem está longe dele. A explicação dada no filme é de que essa distorção temporal seria causada pelo fato do planeta ter uma órbita muito próxima à um buraco negro, o Gargantua. Pois é, esse efeito temporal ocorre de verdade. Longe da situação do filme ser real, apenas relembro que a previsão teórica em conformidade com as equações de Einstein é que a matéria (no caso o buraco negro) distorce o espaço-tempo (causando o intenso campo gravitacional do planeta Miller e sua passagem temporal distorcida). Não se sinta mal por não entender logo de início,  esses comportamentos são estranhos à nossa intuição e precisam do auxílio matemático para seu entendimento completo. Mesmo assim, eles nos seduzem completamente.

Ondas gravitacionais também são um caso particular de soluções das equações de Einstein.Sua observação cosmológica portaria as informações mais antigas a respeito da formação do Universo logo após o Big Bang. Atualmente, o observável mais antigo é a radiação cósmica de fundo (em inglês, cosmic microwave background, ou simplesmente CMB). Ondas gravitacionais, no entanto, carregam informações ainda mais primordiais e daí vem o interesse de sua busca.

Por fim, mas longe de ser menos importante, ressalto a maior contribuição prática da Relatividade Geral: o GPS.  Graças à essa “Senhora Centenária”, esse aparelho – um dos mais úteis da atualidade – foi inventado. Seu funcionamento conta com um sistema de satélites que emitem sinais de rádio viajando na velocidade da luz. Por essa razão, as correções temporais dos sinais de rádio são feitas utilizando a RG.

E você acreditava que RG não tinha nenhum impacto na sua vida? Agora já sabe que além dela ser intrigante, é muito poderosa e útil. Newton explicou como calcular a gravidade, mas Einstein desenvolveu novos conceitos e explicou de fato, o que é a gravidade.

 

Post via Revista Galileu. 

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Astrônomos fizeram duas novas descobertas que podem expandir os limites conhecidos do nosso sistema solar, bem como representar os maiores avanços na busca por vida extraterrestre até agora.

Estamos falando de dois novos planetas, incluindo um parecido com a Terra que está perto o suficiente de nós para podermos estudá-lo em detalhes.

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Na borda de nosso sistema solar, há um novo planeta rochoso com um tamanho próximo ao da Terra. Chamado de GJ 1132b, é a descoberta que detém o maior potencial para encontrar vida alienígena até à data.

Isso porque esse planeta está três vezes mais perto de nós do que qualquer outro objeto semelhante já encontrado orbitando uma estrela. Sua proximidade irá “permitir aos astrônomos estudar o planeta com uma fidelidade sem precedentes”, segundo Drake Deming, astrônomo da Universidade de Maryland, nos EUA. O planeta completa uma órbita ou passa sua estrela a cada 1,6 dias, proporcionando mais oportunidades de pesquisa e mensuração do que qualquer outro já visto.

O planeta foi descoberto em movimento em volta de uma estrela anã vermelha, com apenas um quinto do tamanho do sol. Ele tem um raio 16% maior que o da Terra, e temperaturas superficiais que atingem 260 graus Celsius.

Apesar de ser quente demais para manter água em estado líquido ou sustentar a vida tal como a conhecemos, é frio o suficiente para suportar alguns dos blocos básicos da vida e, possivelmente, apoiar formas vivas como as bactérias.

V774104

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Os limites conhecidos do nosso sistema solar também foram ampliados com a descoberta de um planeta anão distante – três vezes mais distante que Plutão.

Estudos iniciais sugerem que o objeto, nomeado V774104, é provavelmente um corpo gelado com 500 a 1.000 km de largura, embora mais pesquisas sejam necessárias para determinar a sua órbita.

O planeta foi encontrado com a ajuda do Telescópio Subaru do Japão, localizado no topo de Mauna Kea, um vulcão adormecido no Havaí. Ele fica a 15,4 bilhões de quilômetros do sol.

Essa descoberta marca a extremidade do sistema solar e, portanto, a extremidade da influência gravitacional do sol. Também confirma que o sistema solar é muito mais complicado do que os astrônomos imaginavam anteriormente.

Limites constantemente testados

Esses novos achados parecem indicar que os planetas existem provavelmente na casa dos trilhões só em nossa galáxia.

“A razão pela qual esta descoberta é importante é que nós realmente não sabemos como nosso sistema solar se formou, há um mistério lá fora”, disse Brad Tucker, astrônomo do Observatório Mount Stromlo em Canberra, na Austrália, que não estava envolvido na pesquisa. “Estamos sempre encontrando novos objetos como estes. Se não entendermos como nosso sistema solar se formou, não saberemos os ingredientes que são necessários para fazer uma Terra, nem a resposta para a pergunta: qual o limite do nosso sistema solar?”.

 

Post via Hypescience.

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A primeira pista foi a ausência de um elemento químico. A segunda foi a abundância de outros elementos químicos. A terceira foi a suspeita de que a estrela estava girando rápido demais. A quarta foi a existência de uma companheira invisível. Depois de um verdadeiro trabalho de detetive, uma equipe comandada por astrônomos brasileiros juntou as peças e montou um importante quebra-cabeça que vai ajudar a comunidade científica entender como se comportam as estrelas similares ao Sol.

Utilizando o telescópio VLT (Very Large Telescope), localizado no deserto do Atacama, no Chile, o professor Jorge Meléndez avistou a estrela HIP 10725 pela primeira vez em 2009. O professor do IAG (Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da USP) não entendia como era possível uma estrela gêmea solarnão possuir berílio, um dos elementos químicos que compõem nosso Sol.

Estudante de Astronomia da USP, Lucas Schirbel resolveu investigar a estrela misteriosa em seu trabalho de iniciação científica. A pesquisa de Lucas indicou que,se por um lado faltava berílio, por outro sobrava ítrio, bário, lantânio e neodímio na HIP 10725. Gêmeas solares não produzem essas substâncias, o que fez a equipe considerar a hipótese de que uma estrela AGB (tipo de estrela que possui uma massa maior e é capaz de produzir tais elementos químicos) teria transferido essas substâncias para a HIP.

LUCAS SCHIRBEL, ESTUDANTE DE ASTRONOMIA: SUA INICIAÇÃO CIENTÍFICA RESPONDEU IMPORTANTES PERGUNTAS PARA O DESDOBRAMENTO DA PESQUISA (FOTO: DIVULGAÇÃO IAG/USP)

 

Essa hipótese levou a outra: com as substâncias agregadas, a massa da estrela aumentaria, o que por sua vez faria aumentar a sua velocidade de rotação. Esse aumento de velocidade faria com que a estrela aparentasse ser mais recente do que realmente é – fenômeno batizado de “botox estelar”. Apesar de estar com 5 bilhões de anos de idade, a sua rotação é a mesma de uma estrela de apenas 1 bilhão de anos.

Como aconteceu durante todo o processo, essa resposta levou a outra pergunta: se o ítrio, o bário, o lantânio e o neodímio foram transferidos pela proximidade da HIP com uma AGB… cadê a AGB?  Essas estrelas são conhecidas pelo brilho intenso, coisa que não estava sendo observada pelos astrônomos. A resposta é que a transferência ocorreu no passado e o que restou da enorme estrela vizinha foi apenas o seu núcleo – essa última hipótese só seria provada se fosse possível ver mudanças no padrão de movimento da HIP, alteração causada pelo efeito gravitacional da sua companheira invisível. Com a comprovação dessa tese, o ciclo se fechou. 

Além de astrônomos da USP, a equipe conta com cientistas da Universidade Federal de Itajubá, Universidade Federal do Rio Grande do Norte, The Australian National University (Austrália), University of Texas at Austin (EUA) e da Konkoly Observatory, Research Centre for Astronomy and Earth Sciences, Hungarian Academy of Sciences (Hungria). O artigo foi publicado pela Astronomy & Astrophysics.

PROFESSOR DO IAG/USP, JORGE MELÉNDEZ SE INTRIGOU COM O COMPORTAMENTO DA HIP 10725 AINDA EM 2009 (FOTO: DIVULGAÇÃO IAG/USP)

 

Post via Revista Galileu.

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A tripulação da Estação Espacial teve uma refeição para lá de especial no último dia 10: os astronautas comeram, pela primeira vez, uma leva de alfaces frescas cultivadas inteiramente na gravidade zero do espaço. Até então, através das missões de reabastecimento, os tripulantes chegavam a receber de vez em quando pequenos carregamentos de frutas e vegetais, como cenouras e maçãs. “Mas a quantidade é limitada e precisa ser consumida rapidamente”, observa em comunicado Gioia Massa, cientista da NASA envolvida com as pesquisas do sistema Veg-01, apelidado de “Veggie”. O equipamento pretende colocar de vez a salada no cardápio dos astronautas – e ainda proporcionar a eles outros benefícios associados ao cultivo de plantas no espaço.

O Veggie foi mandado para a Estação Espacial em abril de 2014 a bordo de uma cápsula Dragon, da SpaceX. Junto do experimento, também foram enviados dois conjuntos de sementes de alface romana vermelha. Os primeiros pés de alface foram cultivados em maio do ano passado e trazidos de volta à Terra em outubro, para testes de segurança alimentar. Depois de verificarem que estava tudo bem com as folhas, os pesquisadores autorizaram que metade do segundo lote fosse consumido pelos astronautas, e o restante deveria ser trazido à superfície para pesquisas microbiológicas. A salada consumida hoje começou a germinar no dia 8 de julho e foi colhida 33 dias mais tarde.

A fotossíntese das plantas é estimulada artificialmente sobretudo através de lâmpadas de LED azuis e vermelhas, que são as mais eficientes. O comprimento de onda verde também é usado, só que para fins estéticos – sem ele, as folhas teriam uma aparência roxa meio esquisita, e talvez não parecessem tão apetitosas assim. “Os LEDs verdes ajudam a aprimorar a percepção visual humana das plantas, mas eles não emitem tanta luz quanto os vermelhos e os azuis”, explicou Ray Wheeler, líder das atividades de apoio avançado à vida na agência espacial.

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E ao que tudo indica, a alface não é única coisa que pode crescer fora da Terra. “Existem evidências que apontam que alimentos frescos, como tomates, mirtilos e alface vermelha são uma boa fonte de antioxidantes. Ter comidas frescas como essas disponíveis no espaço pode trazer um impacto positivo no humor das pessoas e também fornecer alguma proteção contra a radiação”, diz a pesquisadora Gioia Massa. Além de melhorar a dieta dos astronautas, o cultivo de vegetais no espaço também pode promover uma série de outros benefícios.

“Quanto mais longe e por quanto mais tempo os humanos se afastarem da Terra, maior será a necessidade de ser capaz de cultivar plantas para alimentação, reciclagem de atmosfera e benefícios psicológicos”, observa Massa. E como a agenda de exploração espacial da NASA e de outras agências aponta para a tendência de missões tripuladas cada vez mais longas e complexas, é essencial que essa tecnologia seja desenvolvida o quanto antes.

A jardinagem no espaço também pode servir como uma espécie de hobby para que astronautas que estejam indo, digamos, até Marte, se sintam mais produtivos. Sem contar uma função simbólica um tanto mais poética e filosófica, trazida à tona pelo comunicado da NASA: “Ter algo verde e crescente – um pedacinho da Terra – para tomar contar enquanto se vive e trabalha em um ambiente extremo e estressante pode trazer um enorme impacto.”

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Post via Revista Galileu

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A NASA anunciou mais uma descoberta surpreendente da missão New Horizons: um dos instrumentos da sonda captou imagens detalhadas que fornecem evidências da presença de geleiras flutuantes na superfície de Plutão. As fotos também revelam sinais de atividade geológica recente – algo com que os cientistas não contavam.

“Nós só vimos superfícies como essa em mundos ativos como a Terra e Marte”, disse em comunicado o co-investigador da missão, John Spencer. “Eu realmente estou sorrindo”, comentou. Os registros da sonda mostram de perto a fronteira esquerda da região Tombaugh Regio, o famoso coração. Segundo a agência, claramente pedaços de gelo parecem ter flutuado por ali, e podem ainda estar flutuando, de um jeito parecido como fazem as geleiras da Terra.

O padrão de cores dos terrenos de Plutão são mais escuros no equador e vão ficando cada vez mais claros na direção do pólo norte. Através da análise de imagens com tons otimizados, os cientistas da missão estão interpretando este padrão como o resultado de um fluxo sazonal de gelo que é transportado do equador até o pólo.

A região com as geleiras, chamada de Sputnik Planum e apelidada de “o coração do coração”, é rica em gelos exóticos feitos a partir de nitrogênio, monóxido de carbono e metano. “Nas temperaturas de -198º C em Plutão, estes gelos podem flutuar como uma geleira”, explicou Bill McKinnon, cientista da missão.

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Post via Revista Galileu

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Quando olhamos ao nosso redor, vemos vida. Ela pulsa por toda parte e mostra que a Terra é um verdadeiro santuário biológico, um oásis em meio a uma infinidade de mundos estéreis e hostis demais para que a delicada árvore da vida se ramifique. Ao apontar nossos mais avançados instrumentos científicos para o céu, é natural que os astrônomos procurem por outro planeta como o nosso. Encontrá-lo talvez seja mais difícil do que achar uma agulha em um palheiro, mas os cientistas precisam apostar suas fichas em alguns caminhos. Um dos mais lógicos é procurar por sistemas solares que sejam parecidos com o que nos deu origem. “A busca por uma Terra 2.0, e por um completo Sistema Solar 2.0, é um dos esforços mais empolgantes na astronomia”, disse Jorge Meléndez, professor do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) da USP.

“Esta descoberta é um sinal empolgante de que outros sistemas solares podem estar esperando para ser descobertos”. Megan Bedell, autora principal do artigo

O pesquisador liderou uma equipe de astrônomos brasileiros que fez uma descoberta animadora com a ajuda de um dos instrumentos mais precisos do mundo para se caçar exoplanetas, o HARPS, acoplado a um telescópio de 3,6 metros do Observatório Europeu do Sul (ESO). Eles encontraram não apenas uma estrela que tem a cara do Sol, como também notaram a presença de um gigante gasoso praticamente igual a Júpiter ao redor dela. Chamado de HIP 11915, este sol distante tem mais ou menos a mesma idade que o nosso e, também, uma composição química bastante parecida – o que sugere a possibilidade de planetas rochosos orbitarem próximos a ele. Quanto ao irmão perdido de Júpiter, além de apresentar massa muito semelhante a de nosso vizinho grandalhão, os dois estão a uma distância quase igual das respectivas estrelas.

Muitos gêmeos do planeta já foram descobertos em torno de gêmeas solares, só que até o momento estes dois corpos são os mais análogos de que temos notícia. Mas, afinal, por que a presença de um mundo como Júpiter pode indicar um sistema planetário que se assemelhe ao nosso? De acordo com as teorias mais recentes, o arranjo do Sistema Solar, que em última instância culminou na existência de vida na Terra, só foi possível graças ao gigante gasoso. Sua influência gravitacional teria determinado os rumos de todos os outros astros durante o longínquo período em que se formaram. E é por isso que a busca por gêmeos de Júpiter é tão simbólica para os astrônomos, como pontua Megan Bedell, da Universidade de Chicago, autora principal do artigo que descreve a pesquisa. “Esta descoberta é, em todos os aspectos, um sinal empolgante de que outros sistemas solares podem estar lá fora, esperando para serem descobertos.”

Fonte: Revista Galileu

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Os sinais das mudanças climáticas em todo o mundo são notáveis, e cada vez mais nos deparamos com fenômenos que, em curto prazo, têm capacidade de afetar vários ecossistemas. Os ciclones, geadas, tempestades, tornados e a atividade dos vulcões são manifestações da natureza ligadas ao clima, e grande parte desses eventos extremos é provocada pelo aquecimento global.

Causado a partir da intensificação do efeito estufa, fenômeno natural responsável pela manutenção do calor na Terra, o aquecimento global é definido como o aumento da temperatura em todo o globo.

Os motivos que influenciam essas mudanças na temperatura estão relacionados à emissão dos chamados de gases-estufa, que são principalmente o dióxido de carbono (CO2), gás metano (CH4) e o óxido nitroso (N2O). A existência desses gases está diretamente ligada às praticas humanas, como a queima de combustíveis fósseis, a agricultura e pecuária, resíduos produzidos pelas fábricas além de outros.

O acarretamento da emissão desses poluentes na atmosfera do planeta traz graves consequências para toda a humanidade. Com o aumento da temperatura global, fenômenos climáticos passam a se tornar acontecimentos comuns e o resultado ocasiona a extinção de espécies de animais e vegetais, a perda e mudanças de habitats tradicionais dos animais, o aumento nos níveis dos oceanos, a alteração na frequência e intensidade de chuvas e também de ondas de calor prolongadas.

Para tentar evitar as futuras catástrofes, as autoridades e líderes políticos de todo o mundo já se pronunciaram, anunciando tomar as medidas de precaução necessárias para que a temperatura global suba o mínimo possível. Os novos acordos climáticos têm como objetivo superar o limite de aquecimento a partir da limitação das emissões dos gases que têm grande impacto do aumento das temperaturas atmosféricas.

Tão importante quanto estar atento às mudanças do planeta, é ensinar aos alunos sobre as causas e consequências dos fenômenos climáticos. Através da física e da Termologia é possível fazer com que os alunos compreendam as alterações climáticas e ainda aprofundar o conteúdo interdisciplinar entre temas ambientais e de sustentabilidade.

 

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